homem olhando para painel de noticias com jornais google news

Google Notícias: Como funciona o Algoritmo, Seus Segredos e Mitos

Durante os trágicos eventos de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos da América, as pessoas estavam tendo sérias dificuldades para encontrar notícias e informações relevantes e confiáveis sobre o que estava acontecendo ao tentar utilizar o mecanismo de pesquisa do Google.

Quando eles procuraram informações sobre o que estava acontecendo em Nova York, os algoritmos mostraram resultados sobre a história da cidade ou recomendações para os viajantes.

Logo depois, em 2002, foi lançado o Google Notícias para resolver esse problema. Foi criada a página/aba inicial do Google Notícias para ajudar os usuários a descobrir diversas perspectivas de vários veículos de notícias sobre as notícias do dia, levando-os a se aprofundar em artigos individuais e facilitando a comparação de diferentes versões de uma mesma história.

O algoritmo de notícias funciona da mesma forma que o algoritmo tradicional de buscas?

O Google Notícias é bem peculiar pois não possui somente um formato, mas sim vários que se comportam de maneira diferente dependendo da plataforma ou do dispositivo em que está presente.

Segundo este artigo que explica como funciona o Google News, existem três maneiras distintas, mas interconectadas, do Google descobrir e apresentar notícias em diferentes produtos e dispositivos.

1. Não customizados: Google News Manchetes e Notícias de última hora no YouTube

As principais Manchetes, que aparecem da mesma forma para todos. São mostradas as histórias mais importantes que estão sendo abordadas no momento e não são personalizadas.

Google News Manchetes

Notícias do Youtube

2. Customizados: Google Discovery, Google News para Você e a aba Latest dos aplicativos do Youtube

São customizados dinâmicamente e te ajudam a se manter informado sobre assuntos relevantes para você.

Google Discovery para Android e Iphone

Google News Para Você

Youtube Latest

3. Avaliação de Contexto profundo e Perspectivas Diversas

São apresentadas notícias não personalizadas de uma ampla variedade de fontes na aba de Notícias da pesquisa do Google, nos resultados de pesquisa das principais notícias do YouTube ou na Cobertura completa do Google Notícias.

O Google diz não tomar decisões editoriais sobre quais matérias exibe, exceto quando há eventos extremamente relevantes como o Oscar ou a Copa do Mundo, deixando claro aos usuários quando essas experiências tópicas acontecem.

Apesar dos diferentes formatos, o mecanismo de notícias também passa pelos mesmos testes e processos que são realizados em qualquer busca do Google por padrão que envolvem testes ao vivo e milhares de avaliadores externos de qualidade de Pesquisa treinados em todo o mundo.

Há também o fator Humano.

Assim como descrito neste artigo do suporte do google, há uma escolha dos editores que influencia em algumas metérias específicas.

“Algoritmos de computador selecionam o que você vê no Google Notícias, exceto nos casos indicados. Os algoritmos determinam quais matérias, imagens e vídeos são exibidos, bem como a ordem de exposição.”

Os editores selecionam as matérias das próprias publicações. A equipe de Merchandising do Google Notícias seleciona as publicações da seção “Destaques” no Play Banca.

A equipe de Experiência com o Produto do Google Notícias pode adicionar tópicos temporários a respeito de eventos importantes. (por exemplo, uma eleição ou as Olimpíadas). Os algoritmos exibem as matérias mais bem classificadas desses tópicos.

Alguns tópicos do Google Notícias podem incluir links para resultados relevantes da Pesquisa Google. Por exemplo, no tópico “Eleições”, talvez você veja “Como fazer o cadastro biométrico”. A equipe de Experiência com o Produto especifica essas pesquisas.

Quais são os fatores algorítmicos que influenciam no posicionamento dos artigos?

Ao ser entrevistado pela Search Engine Land, Josh Cohen, business product manager do Google News destacou os principais fatores que influenciam o posicionamento de artigos:

“A classificação da fonte envolve muitas coisas, como por exemplo: Existe conteúdo original? (Nesse caso a pontualidade). A publicação faz a cobertura de desenvolvimentos recentes? (A relevância para o cluster em questão). Em alguns casos, há relevância local? Existe conteúdo de uma fonte local com conteúdo local?

1. Autoridade do Domínio

Ao contrário da busca tradicional que prioriza a versão mais moderna do algoritmo “PageRank” para determinada busca, nas Notícias isso não acontece, pois o algoritmo faz uma seleção somente das fontes de notícias que considera confiáveis. Ou seja, não adianta criar um portal artificial e tentar gerar conteúdos mesmo que relevantes e esperar que isso seja bem posicionado, pois seu domínio raíz não é uma fonte confiável de notícias.

Afinal, se uma mesma notícia relevante for publicada tanto pelo seu site que tem apenas 3 meses de vida quanto por um portal muito conhecido e respeitado. Qual o Google deverá considerar para aparecer em sua página de notícias?

Cohen também disse que a maneira como um artigo individual é classificado em um cluster de histórias é ainda mais influenciada pela reputação que sua fonte de publicação carrega no Google Notícias:

“Existem classificações específicas de fontes, o equivalente ao PageRank para um site específico. Analisamos diferentes métricas de terceiros. Qual é o volume de publicação do conteúdo original em uma determinada categoria? Se você olhar para a Bloomberg e a Reuters, elas podem ter centenas de artigos originais nos negócios. Essa é uma boa indicação da qualidade dessa fonte para essa categoria. Comparado ao esporte, não há muito conteúdo original e, portanto, eles podem não ter tanta autoridade para classificar histórias de esportes.”

Existe um NewsRank?

O Google Notícias possui várias “edições” para diferentes países, como Google News UK e Google News EUA. Cada edição tem sua própria combinação particular de sinais que usa para classificar o conteúdo de notícias.

É por isso que a versão britânica do Google Notícias será diferente da versão americana. Além disso, cada seção de uma edição do Google Notícias (como Entretenimento versus Esportes) também usa sua própria combinação única de sinais de classificação.

Cohen:

“Não temos um nome para isso. Mas não é o mesmo que PageRank. Esse não é um termo que usamos. As fontes têm suas próprias classificações distintas da pesquisa na web, principalmente devido à natureza fugaz de um artigo de notícias. Existem vários sinais diferentes que usamos para calcular a autoridade de origem por edição e seção.”

2. Data e hora da publicação

O fator de “Frescor” de um artigo é determinante para sua aparição nas notícias. Tudo funciona quase como uma linha do tempo em ordem cronológica (na maioria dos casos).

Ao pesquisar sobre um assunto de relevância por exemplo, você pode verificar que não é o PageRank que está em jogo, mas sim a última publicação sobre aquele tópico.

pesquisa no google news

Repare bem que minutos fazem toda a diferença:

data de publicação de um artigo no google newsdata de publicação de um artigo no google news 2

 

3. Ser um site de notícias e possuir conteúdo jornalístico e não publicitário

A arquitetura dos conteúdos do seu site fazem toda a diferença. O algoritmo sabe diferenciar um texto publicitário de um texto de notícias, e nesse caso, irá separar e mostrar somente aquele conteúdo que tiver caráter jornalístico.

Conteúdos evergreen são uma prática fundamental para SEO Tradicional, porém no Google Notícias ocorre justamente o contrário. Quanto mais atual e pontual for o assunto, melhor ele será aceito pelo algoritmo.

Questionado sobre o as métricas ONPAGE de um conteúdo, Cohen disse:

“Seu URL, título e <body> são três componentes que você deve considerar. Se você é fraco, qualquer um deles coloca peso adicional em outras categorias. Porém, quanto mais componentes você remove do processo, mais torna qualquer um deles muito mais importante.”

Segundo esta pesquisa, as pessoas confiam mais nos resultados exibidos no Google Notícias do que nas fontes originais.

Como se adequar a essa exigência? Caso o seu site seja em WordPress, há plugins específicos para isso como o News SEO do Yoast. Do contrário, é recomendado seguir as orientações do Google.

4. Cliques

Ao ser questionado sobre o monitoramento de cliques e sua influência no algoritmo do Google Notícias, Cohen disse:

“Cliques são apenas um dos muitos sinais. Ainda assim, ele admite que o spam acontece, mas não tanto quanto você veria nos resultados comerciais da Web. Você vê mais spam no lado comercial dos conteúdos. Spam é algo que estamos cientes…”

5. Relevância local

A essa altura do campeonato, muitos já sabem que a SERP do Google não é mais uma impressão de resultados estática como já foi. Tudo é relativo e um dos poréns é a geolocalização dos conteúdos.

Por exemplo, Cohen explicou ainda, no caso de incêndios no sul da Califórnia, fontes como o Los Angeles Times podem ser favorecidas, pois são locais para essas notícias. Para histórias que acontecem em outros lugares, outras publicações locais dessas histórias podem receber uma relevância maior.

Se você está buscando sobre acidentes ou engarrafamentos na região do centro de São Paulo, não faz o menor sentido receber notícias sobre o status de trânsito de Rondônia certo?

6. Conteúdo Duplicado

A mesma exigência que é feita para a SERP de buscas tradicional se aplica para notícias, de forma alguma é vantajoso tentar driblar o algoritmo com conteúdo duplicado de outra fonte, mesmo que esteja citando ela.

7. Dados Estruturados

Com os dados estruturados é possível abrir as portas para conseguir se posicionar nos resultados de destaque dos diversos formatos de notícias do Google, pois torna o trabalho dos algoritmos muito mais fácil, e em troca você ganha benefícios de posicionamento.

Aplicando os dados estruturados do tipo NewsArticle com as marcações corretas de data e autor, publicações ficam muito mais legíveis e preferidas pelos algoritmos.

É importante considerar uma série de regras que o Google Determina que sejam seguidas na estrutura geral de artigos que são listadas aqui nas políticas de conteúdo e que evitam penalidades. Lembrando que a marcação de dados não é uma garantia de resultados, assim como especificado:

“Importante: o Google não garante que seus dados estruturados sejam exibidos nos resultados da pesquisa, mesmo que sua página seja marcada corretamente de acordo com a Ferramenta de teste de dados estruturados.”

É verdade que as imagens também auxiliam nesse processo de marcação de dados para conseguir destaque em alguns formatos especiais como o de carrossel:

Confira as seguintes diretrizes do Google para imagens em artigos:

Diretrizes de imagem adicionais:

Cada página deve conter pelo menos uma imagem (incluindo ou não a marcação). O Google selecionará a melhor imagem a ser exibida nos resultados de pesquisa com base na proporção e na resolução.

  1. Os URLs da imagem devem ser rastreáveis e indexáveis.
  2. As imagens devem representar o conteúdo marcado.
  3. As imagens devem estar em .jpg, .png ou. formato gif.
  4. Para obter melhores resultados, forneça várias imagens de alta resolução (mínimo de 300.000 pixels ao multiplicar largura e altura) com as seguintes proporções: 16×9, 4×3 e 1×1.

Por exemplo:
{
“@context”: “https://schema.org”,
“@type”: “NewsArticle”,
“imagem”: [
“https://example.com/photos/1×1/photo.jpg”,
“https://example.com/photos/4×3/photo.jpg”,
“https://example.com/photos/16×9/photo.jpg”
]
}

Como Gerenciar tecnicamente artigos no Google Notícias?

Assim como publicações tradicionais, tudo que a Google oferece de informação orgânica relacionada a artigos de notícias está concentrado no Google Search Console, como o status de rastreamento desses materiais que fica na aba de cobertura e penalidades manuais que são recebidas através de notificações.

Criar um sitemap não irá afetar a classificação do seu artigo, porém pode ser utilizado de maneira estratégica:

  1. Os sitemaps oferecem maior controle sobre quais artigos são exibidos no Google Notícias, eles dizem especificamente quais artigos devem ser rastreados.
  2. Permitem especificar meta tags sobre artigos individuais, como data de publicação ou palavras-chave que ajudam a informar em qual seção do Google Notícias os artigos devem aparecer.

 

Uma lista breve de dicas citadas por Danny Sullivan

De acordo com essa lista breve criada por Danny Sullivan – Public Liaison for Search na Google, existem alguns pontos principais e predominantes que uma estrutura de conteúdo deve idealmente seguir para conseguir bons resultados:

  1. Pense no seu público. Você está usando as palavras corretas que estão sendo pesquisadas pelo seu público para encontrar informações?
  2. Copywriting. As tags de título HTML continuam sendo um dos fatores ONPAGE mais importantes para influenciar a classificação.
  3. Ofereçer um lar permanente ao conteúdo: Conteúdos como os endossos eleitorais ou fogos silvestres por exemplo, devem ter uma página que sempre mantém o mesmo URL com as informações mais atuais.
  4. Google Trends: No momento em que um tópico atinge o Google Trends, a popularidade pode já ter passado por conta do tempo que leva para os tópicos serem endereçados na ferramenta. As tendências podem ajudar a antecipar interesses futuros e como as pessoas estarão pesquisando.
  5. Pensamento estratégico: Para que você deseja esse tráfego? Qual é a meta de conversão? Tentando vender mais assinaturas? Tráfego que é convertido quando as pessoas clicam nos anúncios? A resposta não deve ser “apenas obter tráfego”.

Mitos e verdades sobre o sistema de notícias do Google

A própria Google elencou os principais mitos e verdades que envolvem esse algoritmo.

1. Ter uma imagem ao lado do seu artigo melhora sua classificação: MITO

Embora ter uma boa imagem no seu artigo melhore suas chances de exibi-la, ela não afeta a classificação do próprio artigo. Existem algumas dicas na central de ajuda oficial projetadas para  ajudar o mecanismo a incluir mais imagens no Google Notícias.

2. Cronometrar a data de publicação do seu artigo ajuda a melhorar sua classificação: MITO

O Google Notícias está constantemente procurando os acontecimentos mais recentes de uma história,  no entanto, se você publica antes, depois ou no meio em que outros editores publicam artigos não afetará sua classificação.

Os algoritmos levam em consideração vários fatores ao escolher os melhores artigos em um cluster e simplesmente publicar a mesma história depois que outro editor não irá te ajudar. Existe também a detecção de conteúdo duplicado e a promoção da fonte original de uma publicação.

Se o Google detectar que uma fonte está constantemente reescrevendo histórias para tentar manipular o sistema, vão sinalizar a fonte inteira daquelas publicações.

3. Publicar um sitemap.xml ajuda nos rankings: MITO

Criar um sitemap para seus artigos de notícias apenas ajuda o mecanismo a encontrar seu conteúdo; se o Google não encontrar seu conteúdo, não pode indexá-lo.

4. Alterar a data de publicação do meu artigo vai me posicionar em primeiro: MITO

Não adianta tentar alterar a data de publicação do seu artigo nem a nível de HTML nem a nível de Dados Estruturados, pois a única coisa que o Google leva em consideração é a data em que seu próprio mecanismo indexou seu artigo pela primeira vez.

Pense só, se isso fosse possível, basicamente o canal de notícias seria uma total bagunça e não teria nenhuma relevância pro usuário, invalidando por completo esse produto.

5. A atualização de um artigo após a publicação afeta sua classificação: VERDADE

Atualmente, o rastreador do Google Notícias visita apenas o URL de cada artigo uma vez. Se você fizer atualizações no artigo depois que ele foi rastreado, elas não serão refletidas nas buscas.

6. Alterar o layout ou estrutura do site pode afetar a cobertura: VERDADE

Se você alterar drasticamente a estrutura do site ou o layout da página, o rastreador poderá ter problemas para navegar no novo design. Nesses casos, a equipe de suporte do Google pode precisar atualizar o rastreador para encontrar seu novo conteúdo.

Imagem padrão
Alexandre Polselli
Especialista em SEO, Growth Marketing & Web Analytics
Artigos: 11